Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenados; perdoai, e vos será perdoado. Dai, e vos será dado; será derramada no vosso regaço uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes sereis medidos também... Mestre Jesus Cristo.

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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Não estamos a Sós



Para se compreender bem o título deste artigo, devemos começar dizendo que a morte nada retira nem acrescenta do espírito desencarnado.

Quando alguém deixa esta vida leva para o outro lado todo o patrimônio (espiritual) que acumulou em vidas passadas, acrescidas das conquistas feitas na sua última existência na carne.

Assim, se a morte deixa intacto o patrimônio moral e intelectual de um espírito, também preserva os seus gostos e as particularidades de seu caráter.

Desta maneira, o intelectual desencarnado continua a frequentar as bibliotecas, os salões de palestras e conferências, as universidades e outros locais afinados com ele; o espírito que gostava de arte pode prosseguir frequentando teatros, salas de pintura e até mesmo cinema. O sexófilo, por seu lado, busca secar as suas antigas paixões carnais nos "inferninhos", nos prostíbulos; nos lugares onde se fazem trocas de casais, nos motéis e assim por diante. Os antigos alcoólatras vagueiam nos bares em busca de afins, bêbados inveterados, que serão dominados por eles e se transformarão em canecos vivos desses espíritos infelizes.

Poder-se-ia perguntar:

Qual a utilidade de uma informação como essa? A resposta não é difícil: estamos vivendo em um universo repleto de vida espiritual invisível. É como disse o apóstolo Paulo de Tarso: "somos vigiados por uma nuvem de testemunhas, testemunhas do bem e testemunhas do mal."

Esses espíritos desencarnados que continuam a agir como se vivos estivessem, representam o papel de colaboradores, verdadeiros Anjos-da-Guarda caso sejam bons, mas temíveis "demônios"- obsessores (quando maus) que nos espreitam para tirar de nós seu proveito.

Esses seres do mundo invisível são atraídos para ambientes e situações com que se encontram afinizados e essas atrações acontecem através de uma espécie de cumplicidade entre as ondas mentais que lançamos no espaço.

Essas ondas podem entrar em sintonia com bons ou maus espíritos. Somos motivados ou mesmo intuídos a agir corretamente e a produzir boas obras. Em caso contrário, as nossas ondas mentais pesadas, densas, negativas, entram em contato com espíritos da mesma faixa vibratória. Com esta sintonia tendemos a praticar o mal sugerido pelos desencarnados com quem mantemos cumplicidade.

Esse fato explica com bastante clareza a violência que vemos com tristeza todos os dias em nossa sociedade contemporânea; vítimas desta espécie de espíritos, as pessoas (muitas delas médiuns indisciplinados e ignorantes na espiritualidade) tornam-se joguetes dos obsessores e praticam todas as espécies de crimes. São esses espíritos que a tradição mais antiga denominou demônios, trasgos, duendes e que se encontram entre os mais diversos povos e nas mais diversas épocas. Embora eu tenha usado o termo vítima para classificar aquele que permite ter a sua mente invadida por um espírito imperfeito, a bem da verdade essa "vítima" nada tem de inocente, pois foi ela que, com seus maus pensamentos, sua invigilância, chamou para perto de si este tipo de espírito.

Essas perturbações, em alguns casos, são tão graves que o obsediado é classificado como mentalmente insano e internado em um nosocômio com o diagnóstico de esquizofrenia ou outro rótulo usado pela  Psiquiatria. As pessoas que são detentoras deste tipo de conhecimento correm menor risco de sofrerem um processo objetivo uma vez que aprenderam a importância de cuidar para que seus pensamentos se mantenham em um nível mais alto, impedindo que espíritos impuros dele se aproximem e o tomem para si. Falando sobre a mútua influência entre encarnados e desencarnados, anota André Luiz:

"-Aqui, André, observa você o trabalho simples da transmissão mental e não pode esquecer que o intercâmbio do pensamento é movimento livre do Universo. Desencarnados e encarnados, em todos os setores de atividade terrestre, vivem na mais ampla permuta de idéias. Cada mente é um verdadeiro mundo de emissão e recepção e cada qual atrai os que lhe assemelham. Os tristes agradam os tristes, os ignorantes se reúnem, os criminosos comungam na mesma esfera, os bons estabelecem laços recíprocos de trabalho e realização"
Este texto confirma todas as coisas que dissemos até aqui, ou seja, que somos constantemente assediados por um grande número de espíritos desencarnados bons e maus. Mais à frente, neste mesmo livro, encontramos um exemplo de uma pessoa que por sua conduta espiritualizada não permite ser assediada por espíritos infelizes. Vamos conhecer este texto:

"Ela conserva ainda o seu vaso orgânico na mesma pureza com que o recebeu dos benfeitores que lhe prepararam a presente encarnação. Ainda não foi conduzida ao plano das emoções mais fortes e as suas possibilidades de recepção, no domínio intuitivo, conservando-se claras e maleáveis. Suas células ainda se encontram absolutamente livres de influências tóxicas; seus órgãos vocais, por enquanto, não foram viciados pela maledicência, pela revolta, pela hipocrisia; seus centros de sensibilidade ainda não sofreram desvios até agora; seu sistema nervoso goza de invejável harmonia e o seu coração envolvido em bons sentimentos, comunga com a beleza das verdades eternas através da crença sincera e consoladora."

Esta descrição denota a antítese entre a pureza e a impureza, entre a luz e as trevas. O personagem em questão não pode sofrer o assédio e muito menos a posse de espíritos impuros porque está inteiramente limpa e os espíritos impuros detestam a pureza na mesma proporção com que amam o vício e a podridão. Assim, quando um espírito ignorante se aproxima de um espírito que se encontra escudado no bem, ele se afasta.
Trabalhemos, pois, meus irmãos, para fazer uma faxina em nosso interior e, tornando-o limpo, não teremos porque temer os espíritos obsessores.

Livro "Missionários da luz", pags 56 e 58 - psicografia de Chico Xavier, pelo espírito Andre Luiz

        Por José Carlos Leal

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Entraves Felizes - Chico Xavier


Não enfatizes, em demasia, os obstáculos humanos, porque, em muitos lances da existência, os entraves do caminho se revestem de natureza providencial.

A festa que perdeste foi o meio de que se valeram os benfeitores espirituais para evitar-te o encontro com alguém, cuja influência apenas te envolveria em complicações.

A herança a que tinhas direito e que, por várias circunstâncias, não pudeste receber, terá sido um peso fatídico retirado de teus ombros.

O encontro marcado que não se efetuou decerto te liberou aborrecimentos e prejuízos.

O companheiro que se afastou, conquanto te lastimes, foi o estímulo para que te desvencilhasses de ruinosa dependência.

O órgão doente que, porventura, ainda carregues, é a peça de controle, a fim de que não te percas da ponderação e do equilíbrio.

Em todos os episódios que te pareçam contrários, guarda serenidade e paciência, porquanto dia virá no qual reconhecerás que todos os obstáculos que te impediram o acesso ao que mais desejavas e não tiveste, foram bênçãos de Deus para que hoje usufruas as vantagens que tens.

(De "Jóia", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

"Ninguém quer saber o que fomos, o que possuíamos, que cargo ocupávamos no mundo; o que conta é a luz que cada um já tenha conseguido fazer brilhar em si mesmo."

Chico Xavier

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